alfaiates e-migrantes

O Alfaiate Africano carrega consigo uma  condição : a de Imigrante.Politicamente nomearam-nos imigrantes, socialmente são africanos . Nas suas trajectórias, histórias de exploração ficam cravadas na pele .  Ainda hoje,  e a sua maioria,   encontram-se marginais, circunscritos à comunidade.  Reflectem  no trabalho uma porta de abertura para o contacto com o ‘outro’ , aqueles que no mesmo espaço e tempo habita com eles.  Numa mesma sociedade que para uns é a sua para outros é a de acolhimento. Os imigrantes são visíveis no tecido urbano.

Hoje, encontrei os alfaites em lugares recônditos de Lisboa e suas periferias.

A integração faz parte de um léxico político fashionable! Em suma, convém integrar  para garantir mais postos de trabalho a quem se ocupa destas agendas.

Durante largos meses de convívio e trabalho com eles, concluo que os alfaiates africanos não precisam de ser integrados mas sim de-  fazer- parte -de!

Precisam de emergir do silêncio emoldurado no frenesim quotidiano de quem os observa, ignora e os aconselha .

Muitos destes alfaiares  trabalham com tecidos africanos,  veículos de memória que dão voz à sua cultura e identidade. Muitas destas criações são exiladas pela própria cidade, aquela que  os veste e despe pela ambiguidade no ‘acolhimento’, na ‘integração’ e na ‘cidadania’.

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